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Antas de Portugal

Monsaraz · Reguengos de Monsaraz

Onde fica o Cromeleque do Xerez?

O Cromeleque do Xerez está hoje junto ao Convento da Orada, na encosta por baixo de Monsaraz, a poucos minutos de carro da vila. O acesso é livre e gratuito, e a visita faz-se em quinze minutos; com os menires da zona, conte com uma manhã.

Porque não está onde estava

O monumento ficava na Herdade do Xerez, numa zona baixa perto do Guadiana que a albufeira do Alqueva ia cobrir. As pedras foram desmontadas no fim de 2001, antes de a barragem começar a encher, e voltaram a ser erguidas em 2004 no sítio atual, junto ao Convento da Orada, pouco acima da cota da água.

Isto tem duas consequências práticas. A primeira: há mapas e sites antigos que ainda indicam a localização original, hoje debaixo de água ou num caminho sem saída. Procure "Convento da Orada" ou siga a sinalização a partir da estrada de Monsaraz. A segunda: o que se vê é uma reconstrução. A disposição atual seguiu a interpretação dos arqueólogos que estudaram o sítio, e há especialistas que discutem se o desenho original era mesmo este.

Como chegar

  1. A partir de Reguengos de Monsaraz, siga a estrada nacional em direção a Monsaraz, a cerca de 15 km.
  2. Antes de começar a subir para a vila amuralhada, na zona do Telheiro, procure as placas castanhas do Convento da Orada e do cromeleque.
  3. O convento fica à beira da estrada. O cromeleque está ao lado, num terreno vedado com entrada aberta, a algumas dezenas de metros de onde se deixa o carro.

O caminho final é curto e plano, praticável com carrinho de bebé em tempo seco. Não há bilheteira, café nem casas de banho junto ao recinto; o mais próximo fica em Monsaraz ou no Telheiro.

O que observar

O Xerez é invulgar por ter forma de quadrado, e não de círculo ou elipse como os cromeleques de Évora. Cerca de cinco dezenas de pedras de granito local, a maioria entre meio metro e metro e meio, formam os lados. No meio ergue-se um menir muito maior, com cerca de quatro metros e forma fálica, que domina o conjunto.

  • O menir central. Dê a volta completa. A forma muda bastante consoante o lado, e a parte superior foi claramente afeiçoada.
  • As gravuras. Alguns menires dos lados têm covinhas e motivos gravados semelhantes aos de outros monumentos da região. São pouco profundos: só se leem com luz rasante, nas duas primeiras horas da manhã ou na última da tarde.
  • A orientação. Repare para onde estão virados os lados e a posição do nascer do sol. A ligação ao calendário solar é uma das leituras mais citadas para este tipo de monumento.
  • A paisagem. Do recinto vê-se Monsaraz no alto e, para leste, o plano de água do Alqueva que cobriu o sítio original.

A volta dos menires de Monsaraz

O Xerez faz parte de um conjunto de monumentos a poucos quilómetros uns dos outros, que se veem bem numa manhã de carro. Uma ordem prática, com o cromeleque como ponto de partida:

  1. Cromeleque do Xerez, junto ao Convento da Orada. 15 a 20 minutos.
  2. Menir da Bulhoa, perto do Telheiro, a norte de Monsaraz. Tem as gravuras mais visíveis da zona: um motivo circular com raios e linhas sinuosas que descem pela pedra. 10 minutos.
  3. Menir do Outeiro, entre as aldeias do Outeiro e da Barrada. Com mais de cinco metros e meio, é um dos maiores menires isolados da Península Ibérica. 10 minutos.
  4. Monsaraz, para almoçar ou subir à muralha. A vila tem estacionamento à entrada; o carro não entra no centro.
  5. Anta Grande do Olival da Pega, já do lado de Reguengos, para quem quiser juntar uma câmara funerária. Dela saíram centenas de peças de espólio, incluindo placas de xisto gravadas.
  6. Rocha dos Namorados, perto de São Pedro do Corval: uma rocha natural em forma de cogumelo, associada à tradição popular de atirar uma pedra para o topo para saber quantos anos faltam até ao casamento.

Os acessos à Bulhoa, ao Outeiro e ao Olival da Pega incluem troços de terra batida. Com chuva recente, os últimos metros podem ficar enlameados; deixe o carro onde o piso ainda for firme e faça o resto a pé.

Quando ir

  • Primavera e outono são as melhores alturas: campo verde ou acabado de lavrar, temperaturas suportáveis e luz baixa durante mais tempo.
  • No verão, a zona chega com frequência aos 40 °C. Faça a volta antes das 10h00 ou depois das 18h00 e leve água; não há sombra nos recintos.
  • Ao fim do dia, a luz rasante é a única que deixa ler as gravuras, e o pôr do sol sobre o Alqueva visto de Monsaraz fecha bem a volta.
  • À noite, a região do Alqueva tem céu muito escuro e é procurada para observação astronómica. O cromeleque não tem iluminação: leve lanterna e cuidado com o piso.

Erros a evitar

  • Seguir o GPS para "Xerez". Pode levar à herdade original. O destino certo é o Convento da Orada.
  • Subir às pedras para a fotografia. São monumentos classificados, reerguidos e assentes em terra. Além do dano, há risco real de queda.
  • Molhar as gravuras para as ver melhor. É um hábito antigo que acelera a degradação da pedra. Espere pela luz certa.
  • Contar com serviços no local. Água, comida e casa de banho, só em Monsaraz, no Telheiro ou em Reguengos.
  • Ver só o Xerez e voltar para trás. O cromeleque sozinho vê-se num quarto de hora — a volta pelos menires é o que justifica a viagem.

Xerez e Almendres: qual visitar?

São monumentos diferentes e complementam-se. Almendres, perto de Évora, é muito maior, com cerca de 95 pedras em dois recintos de traçado curvo, e está no sítio original. O Xerez é mais pequeno, tem forma quadrada, um menir central dominante e foi reconstruído noutro lugar. Quem só tem um dia para o megalitismo do Alentejo deve escolher Almendres e o Zambujeiro; quem já os viu, ou está na zona de Monsaraz e do Alqueva, tem no Xerez e nos menires vizinhos uma manhã bem passada.