A construção, por partes
Uma anta típica tem três elementos.
- Esteios: as lajes verticais que formam a câmara, cravadas no chão e encostadas umas às outras.
- Chapéu (ou laje de cobertura): a laje horizontal que assenta em cima e fecha o espaço.
- Corredor: a passagem baixa que dá acesso à câmara. Muitas antas alentejanas têm corredor; as mais antigas e mais pequenas, muitas vezes não.
Sobre esse conjunto erguia-se a mamoa, um monte de terra e pedra que cobria a estrutura por inteiro. A imagem popular das pedras nuas no campo resulta da erosão e da remoção da mamoa ao longo dos séculos. Ninguém as construiu para ficarem à vista — eram montes de terra na paisagem.
Um túmulo usado por gerações
A câmara era reaberta e reutilizada durante longos períodos. Os restos de enterramentos anteriores eram afastados para os lados para dar lugar aos novos, junto com objetos depositados como oferenda: placas de xisto gravadas, lâminas de sílex, machados de pedra polida, vasos de cerâmica. Por isso as escavações encontram conjuntos acumulados, e raramente um enterramento isolado e arrumado.
Na época cristã, algumas antas foram convertidas em capelas. A câmara recebeu altar, porta e caiação, e passou a servir o culto. As antas-capela de São Brissos, perto de Montemor-o-Novo, e de Pavia, em Mora, são os casos mais conhecidos. Essa reutilização preservou monumentos que de outro modo teriam sido desmontados para aproveitar a pedra.
Anta, dólmen, orca, arca
Dólmen é o termo internacional, de origem bretã. Anta é a palavra portuguesa mais usada, sobretudo a sul. No centro e no norte aparecem nomes populares como orca (na Beira) e arca, e muitos topónimos guardam a memória de monumentos já desaparecidos: Anta, Antas, Arca, Mamoa.
O outro significado da palavra
Fora da arqueologia, anta designa também o tapir, o maior mamífero terrestre nativo da América do Sul, um uso corrente sobretudo no português do Brasil, onde a palavra serve ainda de insulto informal para quem é pouco esperto. Em contexto de património, em Portugal, anta significa a câmara megalítica descrita nesta página.
Para ver uma ao vivo, comece pela Anta Grande do Zambujeiro, perto de Évora, e junte o Cromeleque dos Almendres na mesma manhã.